terça-feira, 4 de outubro de 2011

Prémios da Física pela descoberta da aceleração da expansão do universo

cademia Sueca distinguiu com o Nobel da Física o trabalho de três cientistas norte-americanos pela descoberta da aceleração da expansão do Universo O prémio vai ser partilhado entre o professor da Universidade da California Saul Perlmutter e os professores universitários Brian P.Schmidt e Adam G. Riess, da Austrália e Baltimore, respectivamente. Quando os investigadores hoje galardoados com o Nobel da Física apresentaram as suas descobertas, "as fundações da Cosmologia abanaram" ao desvendarem que afinal o universo está a expandir-se cada vez mais rapidamente. O professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto Pedro Avelino lembrou que durante quase um século se acreditou que, após o Big Bang, a expansão do universo acontecesse de forma desacelerada. No entanto, "a investigação baseada na observação do brilho das supernovas, objectos extremamente brilhantes que resultam da explosão de estrelas, veio mostrar que o universo está a acelerar a sua expansão", resumiu à Lusa o cosmólogo do Centro de Astrofísica do Porto. A descoberta dos cosmólogos norte-americanos, explicou, significa que a distância entre os objectos do universo está a aumentar. "O que se pensou que seria normal, tendo em conta a Teoria da Gravitação, é que o universo se expandiria cada vez mais devagar mas a equipa liderada pelo norte-americano Saul Perlmutter veio mostrar o contrário", disse Pedro Avelino. No site da Academia Sueca é explicado que o Nobel da Física foi atribuído à equipa de investigadores norte-americanos cuja descoberta veio "abanar as fundações da cosmologia": "Se a expansão continuar a acelerar, o Universo acabará em gelo", lê-se no site. Pedro Avelino explicou que esta declaração significa apenas que "o universo é cada vez mais frio, porque vai ficando com uma densidade cada vez menor e por isso a temperatura desce". Mas, sublinha, "não nos podemos esquecer que a temperatura do universo é muito baixa", ronda os 270 graus centígrados negativos. A descoberta agora galardoada levanta questões ainda sem resposta: "Não conhecemos bem o futuro do Universo nem se sabe o que é que é responsável por esta situação de aceleração", lembrou. Apesar de não existirem certezas, o professor universitário avança com a hipótese mais plausível entre os cosmólogos: "existirá uma componente exótica de energia que constitui 70% da energia total do universo e que seria responsável por acelerar o universo em vez de desacelerar".